Obesidade Infantil x Mídia

Nos últimos anos, numerosos estudos têm sido realizados para descobrir as verdadeiras causas da obesidade infantil. A maioria destes estudos têm identificado os erros nos hábitos alimentares como sendo o principal fator responsável por causar obesidade nas crianças. Além disso, a falta de atividade física bem como outros fatores genéticos têm sido identificados como principais razões por trás ganho de peso repentino em crianças. Porém, atualmente as mensagens comerciais estão formando a memória em relação aos alimentos mais do que a própria experiência de prová-los. Os produtos alimentares ocupam a maior parte do tempo dedicado à publicidade na televisão, em canais que a maioria das crianças assiste, e aproximadamente 60% dos alimentos anunciados são de baixo valor nutritivo. Tais alimentos estão associados muitas vezes a brindes, jogos e embalagens atrativas que instigam o consumo, mesmo sem apetite, e podem representar para a criança uma forma de recompensa por ter consumido aquele produto – mesmo que esse não traga nenhum benefício para sua saúde. Esse assédio consumista desenvolve um constante sentimento de insatisfação, além de constituir duas faces da mesma moeda: a publicidade que ajuda as crianças a engordar é a mesma que apresenta a magreza como padrão de beleza.
De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2008-091, 34,8% dos meninos e 32% das meninas de 5 a 9 anos têm excesso de peso, e 16,6% e 11,8%, respectivamente, são obesas. Vários fatores podem estar na gênese da obesidade, no entanto mudanças no estilo de vida e nos padrões alimentares poderiam explicar esse crescente aumento de obesidade nos últimos anos – como a redução da atividade física, o consumo de alimentos muito calóricos e de baixo valor nutricional, e a exposição excessiva da criança à mídia.
As crianças são dependentes e cabe aos pais despertar o senso crítico delas para defendê-las dos apelos da publicidade. No entanto, os pais também são assediados pela mídia, que banaliza o consumismo e deixa perceber pouco os danos causados, exigindo, portanto, um passo anterior de conscientização dos próprios adultos. Os pais devem ser orientados acerca da importância de opor-se à publicidade voltada às crianças, devem ser incentivados a participar da vida dos filhos e a desenvolver o senso crítico juntos. No combate à obesidade, esta estratégia de enfrentar os abusos da mídia deve avançar dentro dos tratamentos clínicos e em conjunto com as famílias, bem como na política pública, respaldados pelas leis em defesa da criança e do adolescente.

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